Calculadora de Taxa Metabólica Basal (TMB)

Calcule sua Taxa Metabólica Basal (TMB)

Peso
kg
Altura
m
Idade
anos
Sexo
Atividade
Percentual de gordura (opcional)
%

Calculadora de Taxa Metabólica Basal

A taxa metabólica basal (TMB) é a quantidade mínima de energia que o corpo precisa para manter as funções vitais, como respiração, circulação e temperatura corporal, em repouso. A TMB representa cerca de 60% a 70% do gasto energético total diário de uma pessoa e varia de acordo com o sexo, a idade, o peso e a altura.

Saber a TMB é importante para quem quer controlar o peso, pois assim é possível estimar quantas calorias o corpo gasta por dia e adequar a alimentação às necessidades energéticas do organismo. Além disso, conhecer a TMB também ajuda a prevenir doenças como obesidade, diabetes e hipertensão.

Existem diversas fórmulas para calcular a TMB. Esta calculadora usa a equação de Mifflin-St Jeor (1990), que leva em conta o sexo, a idade, o peso e a altura e é hoje a mais recomendada para a população geral. Preferimos ela à antiga Harris-Benedict (ainda usada por muitas calculadoras brasileiras, inclusive de entidades de saúde) porque a Harris-Benedict tende a superestimar a TMB, sobretudo em brasileiros (Wahrlich e Anjos, 2001; Anjos et al., 2014). Quando você informa o percentual de gordura, usamos a equação de Katch-McArdle, baseada na massa magra.

Diferença entre TMB e gasto energético total (GET)

A TMB é apenas a energia gasta em repouso absoluto. O gasto energético total (GET), também chamado de gasto energético diário, é quanto você gasta de fato ao longo do dia, somando à TMB a energia das atividades físicas e cotidianas. Por isso o GET é sempre maior do que a TMB.

A calculadora estima o GET multiplicando a TMB por um fator de atividade física, que vai de 1,2 (sedentário) a 1,9 (extremamente ativo). É o GET — e não a TMB isolada — que serve de referência para montar a dieta: comer abaixo dele tende a emagrecer; acima, a ganhar peso.

Calorias por nível de atividade física

A tabela abaixo mostra como o fator de atividade transforma a TMB em gasto energético diário. Os valores usam como exemplo uma TMB de 1.700 kcal:

Nível de atividadeFatorGET estimado (TMB 1.700)
Sedentário (pouco ou nenhum exercício)1,22.040 kcal
Levemente ativo (1 a 3 dias por semana)1,3752.338 kcal
Moderadamente ativo (3 a 5 dias por semana)1,552.635 kcal
Muito ativo (6 a 7 dias por semana)1,7252.933 kcal
Extremamente ativo (treino pesado ou trabalho físico)1,93.230 kcal

Metas de calorias para emagrecer ou ganhar peso

A partir do gasto energético diário (GET), a calculadora sugere faixas de calorias por objetivo:

  • Manter o peso: aproximadamente o seu GET.
  • Emagrecer: um déficit personalizado — veja abaixo como chegamos a ele.
  • Ganhar peso: um superávit personalizado, pelo mesmo cruzamento de critérios — veja abaixo.

Como calculamos a sua meta de emagrecer (e por que é diferente)

A maioria das calculadoras corta um número fixo igual para todo mundo — quase sempre 500 kcal por dia. Mas um déficit fixo não serve para todos: para uma pessoa pequena ele é agressivo demais e custa massa muscular; para uma pessoa grande, é leve demais. Pior: a conta linear das 500 kcal nem prevê bem a perda real, porque o gasto de energia se adapta à medida que você emagrece (Hall, 2008; Hall et al., 2011).

Por isso a sua meta é personalizada, do cruzamento de dois critérios independentes:

  1. Um ritmo que preserva massa magra — cerca de 0,5% a 0,7% do seu peso por semana. Em atletas, perder peso nesse ritmo lento manteve (e até aumentou) massa magra e força, enquanto perder o dobro mais rápido estagnou a massa magra (Garthe et al., 2011: +2,1% vs −0,2% de massa magra; Roberts et al., 2020). Como depende do seu peso, esse critério escala com o seu corpo.
  2. A faixa de déficit das diretrizes — a ABESO, no posicionamento de 2022 sobre o tratamento nutricional do sobrepeso e da obesidade, recomenda um déficit de 500 a 750 kcal por dia em relação ao gasto energético total — exatamente a faixa que adotamos.

A sua meta de emagrecer é onde os dois critérios concordam (a interseção). Quando o seu gasto é baixo — corpo menor —, os dois não se cruzam e vale o ritmo, que é mais gentil e seguro do que cortar 500 kcal fixos. E nunca descemos abaixo do piso de ingestão: 1.200 kcal por dia (mulheres) ou 1.500 (homens); abaixo de 800 kcal por dia, só com supervisão médica.

Tudo isso é uma estimativa de curto prazo: a perda real é mais lenta e estabiliza com o tempo, porque o metabolismo se adapta (Hall et al., 2011). Para uma projeção dinâmica e individual, vale usar o NIH Body Weight Planner.

Uma nota de honestidade: ancoramos no ritmo por peso e na faixa absoluta da ABESO porque são o que tem respaldo científico. Um "percentual fixo do GET" (que algumas calculadoras exibem) é prático, mas não é o que as diretrizes ou os estudos de composição corporal de fato prescrevem para emagrecer — por isso não baseamos a sua meta de emagrecer nele (para ganhar peso é diferente, como explicamos logo abaixo). Gestantes, lactantes, adolescentes, idosos e pessoas com baixo peso não devem aplicar metas de emagrecimento por conta própria.

Como calculamos a sua meta de ganhar peso (e por que é diferente do emagrecer)

Para ganhar massa com o mínimo de gordura, vale o mesmo cruzamento de dois critérios — mas com fontes diferentes, porque a ciência do ganho é diferente da do emagrecimento:

  1. Um percentual da manutenção — cerca de 10% a 20% acima do seu GET (Iraki et al., 2019). Aqui, ao contrário do emagrecimento, a literatura recomenda explicitamente uma faixa percentual — por isso ela entra como critério. Como é percentual, escala com o seu corpo.
  2. Uma faixa absoluta conservadora — cerca de 360 a 480 kcal por dia (≈ 1.500 a 2.000 kJ), o suficiente para construir músculo sem excesso de gordura (Slater et al., 2019).

A sua meta de ganhar é a interseção das duas. Para uma pessoa menor, sem interseção, vale o percentual (mais gentil); para uma pessoa muito grande, limitamos ao teto conservador — porque superávit grande vira gordura, não músculo a mais.

O ritmo de ganho é um alvo para acompanhar na balança, não um número que calculamos a partir das calorias: cerca de 0,25% a 0,5% do seu peso por semana (Iraki et al., 2019). Se você ganhar mais rápido que isso, provavelmente é gordura — reduza o superávit. E por que, ao contrário do emagrecimento, não convertemos o superávit em kg por semana? Porque o custo energético de ganhar músculo não é conhecido com precisão (Slater et al., 2019): a gordura tem densidade energética conhecida (cerca de 7.700 kcal/kg), mas o tecido ganho num bulk mistura músculo, água e gordura, com um custo que varia de pessoa para pessoa. Estimar o ritmo a partir das calorias seria fabricar uma precisão que a ciência não tem.

O que a calculadora mostra além da TMB

Diferente da maioria das calculadoras de TMB, esta também estima, no mesmo resultado:

  • Massa magra: o peso do corpo sem a gordura, base da equação de Katch-McArdle quando você informa o percentual de gordura.
  • Faixa de peso ideal: o intervalo de peso saudável estimado a partir da massa magra e do percentual de gordura de referência (10% a 20% para homens, 18% a 28% para mulheres).
  • Gasto energético diário e metas de calorias personalizadas — tanto a de emagrecer (ritmo seguro × diretriz da ABESO) quanto a de ganhar peso (% da manutenção × faixa conservadora) saem de um cruzamento de critérios, com um gráfico de cada, em vez de um valor fixo igual para todos.

A seguir, apresentamos um exemplo de como usar a calculadora de TMB baseada na equação de Mifflin-St Jeor.

Perguntas frequentes sobre a TMB

Como usar a calculadora de TMB?

Para usar a calculadora de TMB, você deve seguir os seguintes passos: informe o seu sexo (homem ou mulher); informe a sua idade em anos; informe o seu peso em quilogramas; informe a sua altura em centímetros; e clique em calcular para ver o resultado em calorias por dia.

Como calcular a TMB manualmente?

Para calcular a TMB manualmente, você deve usar as fórmulas da equação de Mifflin-St Jeor. Para homens: TMB = (10 x peso em kg) + (6,25 x altura em cm) - (5 x idade em anos) + 5. Para mulheres: TMB = (10 x peso em kg) + (6,25 x altura em cm) - (5 x idade em anos) - 161. Por exemplo, para um homem de 25 anos, com 70 kg e 1,80 m de altura: TMB = (10 x 70) + (6,25 x 180) - (5 x 25) + 5 = 700 + 1125 - 125 + 5 = 1705 calorias por dia.

Qual a diferença entre TMB e gasto energético total (GET)?

A TMB é a energia gasta em repouso, apenas para manter as funções vitais. O gasto energético total (GET) soma a isso a energia das atividades do dia, multiplicando a TMB por um fator de atividade física (de 1,2 a 1,9). O GET é, portanto, sempre maior que a TMB e é a referência usada para planejar a dieta.

Quantas calorias devo comer para emagrecer?

Em vez de cortar um número fixo igual para todos, esta calculadora personaliza a sua meta: cruza um ritmo que preserva massa magra (cerca de 0,5% a 0,7% do seu peso por semana — Garthe et al., 2011; Roberts et al., 2020) com a faixa de déficit das diretrizes da ABESO (500 a 750 kcal por dia). A perda real é mais lenta do que a conta linear sugere, porque o metabolismo se adapta. Por segurança, não recomendamos comer abaixo de 1.200 kcal (mulheres) ou 1.500 kcal (homens); abaixo de 800 kcal por dia, só com supervisão médica.

O que influencia na TMB?

A TMB é influenciada por diversos fatores: sexo (os homens tendem a ter uma TMB maior do que as mulheres, pois possuem mais massa muscular e menos gordura corporal); idade (a TMB diminui com o avanço da idade, pela perda de massa muscular e aumento de gordura); peso (quanto maior o peso corporal, maior a TMB, pois o corpo precisa de mais energia para sustentar os tecidos); altura (quanto maior a altura, maior a TMB, pois o corpo tem maior superfície e perde mais calor); genética (algumas pessoas têm uma TMB mais alta ou mais baixa por questões hereditárias); hormônios (os da tireoide, por exemplo, podem acelerar ou reduzir a TMB); temperatura (a TMB aumenta em ambientes muito frios ou muito quentes); e jejum (a TMB diminui em jejum prolongado, quando o corpo entra em modo de economia de energia).

Como aumentar a TMB?

Aumentar a TMB significa elevar o gasto energético do corpo em repouso, o que ajuda a controlar o peso e melhorar a saúde. Algumas dicas: aumentar a massa muscular com exercícios de força, como musculação, pilates ou crossfit, já que os músculos consomem mais energia do que a gordura; fazer exercícios aeróbicos, como corrida, bicicleta ou natação, que mantêm a TMB elevada por algumas horas após o treino; consumir alimentos termogênicos, como pimenta, gengibre, canela, café ou chá verde; fracionar as refeições em pequenas porções saudáveis ao longo do dia; e dormir bem, para regular os hormônios que influenciam a TMB, como o cortisol e a leptina.

Referências

  1. HARRIS JA, BENEDICT FG. A Biometric Study of Human Basal Metabolism. Proc Natl Acad Sci U S A. 1918 Dec;4(12):370-3. doi: 10.1073/pnas.4.12.370. (histórico)
  2. ROZA AM, SHIZGAL HM. The Harris Benedict equation reevaluated: resting energy requirements and the body cell mass. Am J Clin Nutr. 1984 Jul;40(1):168-82. doi: 10.1093/ajcn/40.1.168.
  3. Mifflin MD, St Jeor ST, Hill LA, Scott BJ, Daugherty SA, Koh YO. A new predictive equation for resting energy expenditure in healthy individuals. Am J Clin Nutr. 1990 Feb;51(2):241-7. doi: 10.1093/ajcn/51.2.241.
  4. CUNNINGHAM JJ. Body composition as a determinant of energy expenditure: a synthetic review and a proposed general prediction equation. Am J Clin Nutr. 1991 Dec;54(6):963-9. doi: 10.1093/ajcn/54.6.963. (base científica da equação chamada de "Katch-McArdle")
  5. Pepe RB, Lottenberg AM, Fujiwara CTH, et al. Posicionamento sobre o tratamento nutricional do sobrepeso e da obesidade (Departamento de Nutrição da ABESO — 2022). Diabetol Metab Syndr. 2023;15:124. doi: 10.1186/s13098-023-01037-6. (déficit de 500 a 750 kcal/dia em relação ao GET; dietas de baixa caloria de 1.200–1.500 kcal/dia para mulheres e 1.500–1.800 para homens)
  6. National Heart, Lung, and Blood Institute (NHLBI). Clinical Guidelines on the Identification, Evaluation, and Treatment of Overweight and Obesity in Adults. 1998. (déficit de 500 a 1.000 kcal/dia; converge com a ABESO)
  7. Hall KD. What is the required energy deficit per unit weight loss? Int J Obes (Lond). 2008 Mar;32(3):573-6. doi: 10.1038/sj.ijo.0803720. (um déficit fixo prevê mal a perda; a densidade energética do tecido perdido varia com a composição corporal)
  8. Hall KD, Sacks G, Chandramohan D, et al. Quantification of the effect of energy imbalance on bodyweight. Lancet. 2011;378(9793):826-37. doi: 10.1016/S0140-6736(11)60812-X. (a adaptação metabólica torna a regra linear das 3.500 kcal imprecisa)
  9. Garthe I, Raastad T, Refsnes PE, Koivisto N, Sundgot-Borgen J. Effect of two different weight-loss rates on body composition and strength and power-related performance in elite athletes. Int J Sport Nutr Exerc Metab. 2011 Apr;21(2):97-104. doi: 10.1123/ijsnem.21.2.97. (0,7%/semana preservou/ganhou massa magra; 1,4%/semana, não)
  10. Roberts BM, Helms ER, Trexler ET, Fitschen PJ. Nutritional recommendations for physique athletes. J Hum Kinet. 2020 Jan 31;71:79-108. doi: 10.2478/hukin-2019-0096. (metas relativas ao peso; ≤0,5% do peso por semana preferível para preservar massa magra)
  11. Slater GJ, Dieter BP, Marsh DJ, Helms ER, Shaw G, Iraki J. Is an energy surplus required to maximize skeletal muscle hypertrophy associated with resistance training? Front Nutr. 2019 Aug 20;6:131. doi: 10.3389/fnut.2019.00131. (superávit conservador de ~1.500–2.000 kJ ≈ 360–480 kcal/dia)
  12. Iraki J, Fitschen P, Espinar S, Helms E. Nutrition recommendations for bodybuilders in the off-season: a narrative review. Sports (Basel). 2019 Jun 26;7(7):154. doi: 10.3390/sports7070154. (superávit de ~10–20% da manutenção e ganho de ~0,25–0,5% do peso por semana, para ganhar com pouca gordura)
  13. NIH Body Weight Planner — National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIDDK). (projeção dinâmica de peso)
  14. Bossan FM, Dos Anjos LA, Ferriolli E, Pfrimer K, Caspersen CJ, Wahrlich V. Total daily energy expenditure estimated by 24-hour physical activity recalls and doubly labeled water in urban Brazilian adults. Nutrition. 2025 Oct;138:112815. doi: 10.1016/j.nut.2025.112815. (NAF medido por água duplamente marcada = 1,75 em adultos brasileiros)
  15. Wahrlich V, Anjos LA. Validation of predictive equations of basal metabolic rate of women living in Southern Brazil. Rev Saúde Pública. 2001;35(1):39-45. (as equações preditivas superestimam a TMB medida em 7% a 17% em mulheres brasileiras)
  16. Anjos LA, Wahrlich V, Vasconcellos MTL. BMR in a Brazilian adult probability sample: the Nutrition, Physical Activity and Health Survey. Public Health Nutr. 2014;17(4):853-60. (Harris-Benedict superestima a TMB em cerca de 19% numa amostra de 529 adultos brasileiros)

Conteúdo com caráter informativo. As fórmulas de TMB são estimativas com margem de erro individual e não substituem a avaliação de um médico ou nutricionista.